Você já percebeu que retém melhor as informações vendo um gráfico do que ouvindo uma explicação? Ou talvez entenda mais fácil quando escreve as coisas à mão? Isso é completamente natural. Cada pessoa aprende de um jeito diferente, e é exatamente aí que o modelo VARK entra em cena.

O modelo VARK, desenvolvido por Neil Fleming nos anos 1980, descreve quatro estilos principais de aprendizagem: Visual, Auditivo, Leitura/Escrita e Cinestésico. Entender seu estilo pessoal pode transformar sua forma de estudar, de fazer uma formação profissional ou mesmo de aprender uma nova habilidade.
Os quatro estilos VARK explicados
Visual: você aprende vendo. Gráficos, esquemas, diagramas e vídeos são seus aliados. Quando fecha os olhos para pensar, você visualiza as informações como imagens. Cores, espaçamentos e formas dizem mais a você do que palavras sozinhas.
Auditivo: você aprende ouvindo. Discussões, explicações verbais e podcasts são seus pontos fortes. Você tende a falar enquanto trabalha, a preferir que alguém explique em vez de ler um manual. Música, ritmos e a entonação das vozes ficam facilmente na sua memória.
Leitura/Escrita: você aprende melhor lendo e escrevendo. Livros, artigos detalhados e listas são seu território. Você gosta de fazer anotações, criar fichas de estudo e revisar pelo texto escrito. As palavras são seu meio favorito para assimilar e organizar o conhecimento.
Cinestésico: você aprende fazendo e sentindo. Experiências práticas, manipulações e projetos concretos falam muito mais a você do que uma teoria puramente abstrata. Você precisa se mover, experimentar e aprender com os próprios erros.
Atenção: você provavelmente não é 100% de um estilo
Aqui está o principal equívoco sobre o modelo VARK: muita gente acredita que precisa pertencer a UM único estilo fixo. Isso não é verdade. A maioria dos aprendizes é multimodal e combina vários estilos conforme o contexto.
Um engenheiro pode ser bem auditivo em reuniões para discutir arquitetura de software, mas cinestésico quando está programando. Uma estudante pode ser visual para biologia (muitos esquemas) e leitora para história (muito texto para assimilar).
A realidade é que seu estilo pode evoluir com o tempo e o contexto. Por isso, é útil desenvolver estratégias em TODOS os estilos, em vez de se prender a uma única categoria.
Estratégias práticas para cada estilo
Para os Visuais: crie mapas mentais coloridos, use códigos de cores nas suas anotações, assista a vídeos explicativos, monte infográficos dos seus cursos, desenhe diagramas de conceitos. Em uma reunião, peça slides ou esquemas em vez de somente explicações verbais.
Para os Auditivos: participe de grupos de estudo onde você possa discutir, grave suas aulas e escute no transporte, explique em voz alta o que está aprendendo (técnica do professor), assista a podcasts educativos, peça retornos orais. Reuniões e conversas são sua zona de conforto.
Para os Leitores/Redatores: leia artigos e livros, escreva fichas de resumo, crie listas detalhadas, anote seus documentos, copie suas anotações de forma organizada. Guias completos e textos detalhados são mais eficientes para você do que uma simples explicação verbal.
Para os Cinestésicos: faça projetos práticos, aprenda por demonstração seguida de prática, use apps interativos ou jogos, prefira cursos com atividades em vez de só conferências, experimente por conta própria, crie conteúdo físico (maquetes, protótipos).
Adapte suas anotações e apresentações
Durante uma aula ou formação, experimente o seguinte de acordo com seu estilo principal:
Se você é mais visual, deixe uma margem generosa no caderno para adicionar croquis, esquemas ou códigos de cores ao revisar. Use o Notion ou o OneNote para organizar suas anotações com blocos coloridos.
Se você é auditivo, não se force a encher páginas. Faça anotações mínimas e revise ouvindo uma gravação da aula ou falando sozinho. Encontre um colega para se explicarem mutuamente o que aprenderam.
Se você é leitor, faça anotações detalhadas e bem redigidas, crie um glossário pessoal, resuma cada sessão em frases completas. Apostilas e referências escritas são suas melhores ferramentas.
Se você é cinestésico, combine a escuta com movimento: caminhe enquanto revisa, segure um objeto, faça pausas com exercícios. Casos práticos e simulações vão ajudar você muito mais do que a teoria pura.
Conheça você para aprender melhor
Seu estilo de aprendizagem não é uma limitação, é uma bússola. Ao reconhecer suas preferências naturais e adaptar suas técnicas de estudo, você pode aprender mais rápido, reter melhor e, principalmente, aproveitar mais o caminho.
A chave está na experimentação: teste as estratégias que correspondem ao seu estilo e observe o que realmente funciona para você. E lembre-se: nada impede você de desenvolver também seus outros modos de aprendizagem. A flexibilidade cognitiva é uma verdadeira superpotência.
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