Porque fazer o DISC a uma turma
Um trabalho de grupo que emperra raramente é uma questão de nível. É muitas vezes uma questão de ritmo e de forma de agir: um quer decidir já, outro quer que todos concordem, um terceiro quer primeiro verificar o enunciado linha a linha. Cada um lê o comportamento do outro como má vontade.
O DISC dá a um grupo um vocabulário neutro para falar disso. Quatro estilos, dois eixos (um ritmo mais rápido ou mais calmo, uma atenção mais voltada para a tarefa ou para as pessoas), e uma ideia simples: estas formas de agir são diferentes, não melhores umas que as outras. Para o modelo completo, lê o guia completo do modelo DISC.
Este artigo dirige-se ao professor ou formador que quer fazer disto uma sessão: no secundário, no ensino superior, em formação de adultos. Descreve como a preparar, como a conduzir com a grelha coletiva, o que fazer a seguir, e sobretudo os limites a definir antes de começar.

Antes da sessão: o que é preciso decidir
O público
A Profilia destina-se a pessoas com 16 anos ou mais, como indica a nossa política de privacidade. Abaixo dos 16 anos, é necessária a autorização de um pai, mãe ou representante legal. Com alunos menores, a sessão mantém-se um momento de descoberta e conversa, sem qualquer peso avaliativo, e não é acompanhada de nenhum dado nominativo (voltamos a isto mais à frente).
O objetivo
Formula-o antes de lançares fosse o que fosse, e diz-o à turma. Um bom objetivo cabe numa frase: "trabalhar melhor em conjunto nos projetos de grupo", "perceber porque é que nem todos nos organizamos da mesma forma", "preparar os estágios a falar de comunicação". Um objetivo que começa por "saber quem é o quê" é um mau ponto de partida: transforma uma ferramenta de conversa numa etiqueta.
Em direto ou de forma assíncrona
A sessão de grupo funciona de duas formas.
- Em direto, na sala. A partir da página teste DISC em equipa, clica em "Criar uma sessão", depois marca "Sessão em direto". Os alunos entram numa sala de espera, vês o contador a subir, e lanças o teste quando todos estão presentes. Quem chega atrasado pode juntar-se a meio.
- De forma assíncrona. Sem essa opção marcada, cada um responde quando quiser, por exemplo em trabalho de casa, e a grelha preenche-se pouco a pouco à medida que chegam as respostas. O botão "Aplicar este teste ao seu grupo" da página do teste DISC cria diretamente uma sessão deste tipo, num clique.
Em ambos os casos, não é preciso conta, nem para ti nem para os alunos.
Responder tu próprio primeiro
Em modo assíncrono, o teu ecrã de moderador propõe responder primeiro ("Responde tu primeiro"), para veres exatamente o que os alunos vão ver. O teu perfil conta então para a grelha: diz isso à turma, ou guarda a tua resposta para outra sessão se quiseres uma grelha que descreva só o grupo. O teste demora cerca de 5 minutos, e o seu funcionamento está detalhado em o que saber antes de fazeres o teste.
Conduzir a sessão, passo a passo
1. Partilhar a ligação
O teu ecrã de moderador contém a tua chave de moderador no endereço, e mostrará mais tarde a lista nominativa das respostas: mantém-se no teu computador, nunca no quadro. Antes de ligares o projetor, abre num novo separador a vista dos alunos: é o mesmo endereço, sem /anfitriao nem o que se segue. É essa que projetas, do início ao fim. Mostra o código QR, depois a grelha, sem nenhum nome.
Cada um digitaliza o código QR com o telemóvel e responde a partir do seu aparelho. Também podes colar a ligação no espaço da turma.
2. Dar as instruções
Três frases bastam, e contam mais do que se pensa:
- Não há resposta certa. Cada pergunta propõe quatro respostas, uma por estilo, e escolhes a que mais se parece contigo.
- Responde por ti, não pelo papel que desempenhas na turma. O teste descreve uma preferência, não um desempenho.
- O nome é opcional. No fim do teste, o site propõe acrescentar um nome. Pode deixar-se em branco: o resultado conta na mesma para a grelha. Com menores, a instrução mais simples é não o colocar.
3. Lançar, e depois esperar pela grelha
No modo em direto, lanças a partir do teu ecrã de moderador quando o grupo está reunido. Se o teu computador duplicar o ecrã no projetor, corta a projeção durante esse momento. A grelha mantém-se oculta enquanto houver menos de 3 respostas: abaixo disso, uma repartição diria demasiado sobre cada um. Depois, atualiza-se sozinha à medida que as respostas chegam, sem recarregar nada. Uma sessão aceita até 300 participantes, uma turma inteira ou um ano completo.
4. Projetar a grelha, não a lista
É o ponto prático mais importante. Depois de a grelha abrir, o teu ecrã de moderador mostra três coisas:
- A repartição do grupo pelos quatro estilos, sem nenhum nome.
- A lista "Quem respondeu", com o nome de cada um e o seu perfil. Só tu a vês. Se alguns alunos indicaram o nome, esta lista diz quem é o quê.
- Sugestões para trabalhar com cada perfil, e depois perguntas "Para abrir a conversa".
Os alunos veem no telemóvel a repartição, as sugestões e as perguntas. A lista nominativa, nunca.
É por isso que projetas a vista dos alunos aberta na etapa 1: mostra a repartição, as sugestões e as perguntas, sem nenhum nome e sem a tua chave. A lista nominativa não tem lugar no quadro: é ela que transformaria a sessão numa tabela classificativa.
5. Fazer o debrief
A grelha não faz a sessão. É a conversa que a faz. Uma meta-análise sobre os debriefs (Tannenbaum e Cerasoli, Human Factors, 55(1), 231-245, 2013, 46 amostras) conclui que um debrief bem conduzido melhora o desempenho em cerca de 20 a 25% em média. Estuda debriefs no trabalho e em formação, que revisitam uma tarefa realizada. Não fala do DISC nem da escola: o que se retém aqui é só que o valor vem de uma conversa guiada, com uma estrutura.
As perguntas apresentadas sob a grelha são construídas a partir da repartição real do teu grupo. Consoante os casos, perguntam se cada um se reconhece no seu perfil, o que um estilo dominante faz o grupo conseguir bem, onde é que duas formas de agir se chocaram, ou quem faz o papel de um estilo ausente quando o grupo precisa dele.
Algumas regras simples para que a conversa se mantenha saudável:
- Cada um fala de si, nunca de um colega. "Reconheço-me em..." em vez de "aquele ali é claramente um D".
- Ninguém é obrigado a dizer o seu perfil. A repartição basta para conversar.
- Fala-se de situações, não de pessoas. "Da última vez que tivemos de escolher um tema, o que travou?"
E depois: o que fazer disto na turma
Uma sessão de DISC isolada esquece-se depressa. Serve quando volta ao trabalho normal do grupo. Com menores, estes prolongamentos mantêm-se jogos de vocabulário, sem registo escrito dos perfis.
Um vocabulário comum para os trabalhos de grupo
O mais útil é também o mais simples: reutilizar as palavras. Antes de um projeto, cada grupo pode perguntar-se do que vai precisar (alguém que decida, alguém que una, alguém que aguente o ritmo, alguém que verifique) e quem fica com isso. Para os quatro estilos e as suas interações, os 4 perfis DISC explicados dá conteúdo para alimentar a conversa.
Papéis escolhidos, não atribuídos
Muitos trabalhos de grupo assentam em papéis: moderador, secretário, guardião do tempo, verificador. O DISC pode ajudar nessa escolha, desde que continue a ser uma escolha. Uma variante interessante é convidar cada um, uma vez, a assumir voluntariamente o papel que lhe é menos natural. Ninguém é colocado num papel por causa do seu perfil.
"A mesma mensagem, quatro formas de a dizer"
Um exercício curto que resulta bem: pegar numa instrução ou num aviso (uma mudança de data, uma crítica a formular, uma ideia a defender) e reescrevê-lo para cada um dos quatro estilos. Ir direto ao assunto, dar vontade, tranquilizar sobre o que se segue, trazer elementos precisos. É um exercício de expressão oral ou escrita tanto quanto um exercício sobre o DISC.
Voltar à grelha
A sessão mantém-se consultável durante 30 dias. Podes reabri-la antes de um novo projeto, ou fazer o balanço no fim de um período: o que mudou na forma como o grupo trabalha? Para os formadores que acompanham equipas de adultos, o guia o DISC em equipa para gestores leva estas ideias mais longe.
Os limites a definir, e a dizer à turma
Uma ferramenta de conversa mal enquadrada torna-se depressa numa ferramenta de etiquetagem. Estes limites dizem-se no início da sessão, não no fim.
Não é uma ferramenta de seleção
O DISC não serve para avaliar, classificar, formar grupos de nível, nem orientar um aluno. Descreve preferências de comportamento: não mede competências, aptidões, nem nível. E nenhum teste DISC demonstrou que prevê o sucesso num cargo. O que a investigação estabelece, e o que não estabelece, está detalhado em o DISC é científico?. Para a orientação, um teste de interesses como o teste RIASEC é feito para isso, e continua também ele a ser um ponto de partida, não uma decisão.
Não é um retrato fixo
O resultado descreve a forma como o aluno se percebe, no momento em que responde. Pode mudar de uma resposta para outra, sobretudo numa idade em que se muda tanto. Apresenta-o como uma fotografia datada, nunca como "o que és".
Com menores: lúdico, e sem dados nominativos
- Sem nome, ou com um pseudónimo.
- Sem endereço de e-mail: o site propõe, como opção, avisar por e-mail quando a grelha aparecer. Na turma, isso é dispensável.
- No fim do teste, ignora a proposta de guardar o resultado (por conta Google ou por e-mail): não é necessária para entrar na grelha.
- Nenhum perfil individual comunicado à família, à equipa pedagógica ou numa pauta.
- Um aluno que não queira participar pode simplesmente não responder: a conversa sobre a repartição do grupo não o exclui.
O que o site faz com estes dados
Não é necessária nenhuma conta. O nome é opcional. A grelha só se mostra a partir de 3 respostas. As sessões e os nomes eventuais são eliminados automaticamente ao fim de 30 dias. O detalhe está na política de privacidade.
FAQ
É gratuito para uma turma inteira?
Sim. A sessão de grupo é gratuita, sem versão paga nem limite de sessões. Uma sessão aceita até 300 participantes.
Os alunos têm de criar conta?
Não. Nem o professor nem os alunos precisam de conta. Cada um digitaliza o código QR ou abre a ligação, e responde diretamente a partir do telemóvel. No fim do teste, o site propõe guardar o resultado: pode ignorar-se.
A partir de que idade se pode usar?
A Profilia destina-se a pessoas com 16 anos ou mais. Abaixo disso, é necessária a autorização de um pai, mãe ou representante legal. Com menores, mantém a sessão num registo de descoberta, sem nome nem endereço de e-mail.
O professor vê o perfil de cada aluno?
O teu ecrã de moderador mostra a lista "Quem respondeu", com um perfil por resposta. Só os alunos que indicaram um nome aparecem identificados, os outros aparecem como anónimo. Num grupo pequeno, um anónimo pode adivinhar-se por eliminação: com menores, a instrução "sem nome" vale portanto para todos. Os alunos, esses, veem a repartição do grupo, as sugestões e as perguntas, sem nenhum nome.
Quanto tempo é preciso prever?
O teste demora cerca de 5 minutos por pessoa. O resto depende de ti: uma aula dá tempo para partilhar a ligação, fazer o teste, e depois debater a partir da grelha e das perguntas propostas.
Pode usar-se para formar grupos ou orientar os alunos?
Não. O DISC não tem a validade necessária para selecionar pessoas, e uma atribuição baseada num perfil fecha o aluno numa etiqueta. Serve para falar da forma como se trabalha em conjunto. Para a orientação, um teste de interesses como o RIASEC é mais adequado.
Lançar a tua sessão
Abre uma sessão a partir da página teste DISC em equipa com "Criar uma sessão", marca "Sessão em direto" se estiveres a conduzi-la na sala, e projeta a vista dos alunos. Para conheceres o teste antes da turma, faz tu próprio o teste DISC gratuito.
Este teste é de carácter lúdico e informativo. Não constitui um diagnóstico psicológico.